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Pubvet, V. 1, N. 9, Ed. 9, Art. 312, ISSN 1982-1263, 2007

Utilização de resíduos agroindustriais na alimentação de animais de produção

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Prof. Dr. Luiz Juliano Valério Geron

 

Professor Dr. do Departamento de Zootecnia da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Rodovia 174, km 209, caixa postal 181, Pontes e Lacerda – MT

 

Introdução

 

A diminuição das áreas de pastagem, para o plantio de oleaginosas e cereais, e a sua estacionalidade de produção, tornam escassos alguns recursos alimentares (volumosos), refletindo em elevação do custo de produção. A grande necessidade de produção de alimentos para ruminantes (ex.: bovinos e ovinos) desafia a pesquisa a buscar novas alternativas de recursos alimentares, com objetivo de reduzir custos, facilitar o gerenciamento e aumentar a produtividade dos rebanhos. Para a produção de monogástricos (ex.: aves e suínos) o desafio é manter a eficiência de produção utilizando alimentos alternativos que não competem diretamente com o consumo humano, além de reduzir o custo da alimentação.

As atividades agro-econômicas desenvolvidas no Estado de Mato Grosso utilizam apenas 30% do seu território. Mesmo com uma utilização restrita do seu território o Mato Grosso é o maior produtor nacional de algodão e soja, além de ser grande produtor de milho, álcool e açúcar (Francisco, 2006), além de existir grandes investimentos na implantação de usinas de biodiesel.

A produção industrial e agroindustrial planejada e com menor geração de resíduos abre espaço para a convergência entre os interesses de conservação ambiental, de desenvolvimento econômico e de melhoria do ambiente de trabalho. Além disso, permite criar novas oportunidades para o estabelecimento de parcerias e de soluções criativas entre a indústria e a agropecuária, que implicam na redução do potencial de surgimento de novos passivos ambientais (resíduos agroindustriais) e significa também melhorar a eficiência empresarial e aumentar a competitividade em um mercado globalizado (Abreu, 2006).

Segundo Franco e Brumatti (2007), o Brasil possuía em 2006 um rebanho bovino estimado em aproximadamente 200 milhões de cabeça. A região Centro-Oeste concentra aproximadamente 35% do rebanho brasileiro, sendo o Mato Grosso (MT) o estado nacional detentor do maior rebanho, com aproximadamente 27 milhões de cabeças.

Para que a produção animal seja economicamente viável e competitiva é necessário, entre outros fatores, proporcionar aos animais de produção condições de exteriorizar o máximo desempenho de suas potencialidades genéticas através do fornecimento de alimentação balanceada e de baixo custo visando alcançar as condições de peso para abate o mais precoce possível.

Desta maneira, pesquisadores, técnicos e produtores sempre estão a procura de alimentos alternativos, com alta qualidade nutricional e menor custo. Entre as diversas fontes alternativas de alimentos, destacam-se o bagaço da cana-de-açúcar, polpa de citrus, casca do grão de soja, resíduos de fecularias e de farinheiras de mandioca, caroço de algodão, resíduo de cervejaria e resíduo de girassol (torta).

 

Bagaço da cana-de-açúcar (Saccharum officinarum L.)

 

O resíduo sólido das usinas de álcool e açúcar (bagaço da cana-de-açúcar) é uma alternativa que pode ser utilizada na alimentação de animais ruminantes, principalmente na época da seca, como fonte de energia fermentável no rúmen.

O bagaço da cana-de-açúcar in natura é obtido após a moagem da cana-de-açúcar e extração dos açucares (principalmente sacarose), obtendo assim, um resíduo rico em parede celular com baixa digestibilidade e densidade e pobre em proteína bruta, açucares e carboidrato de reserva (Santos, 1991).

A extração do caldo de cana-de-açúcar pode ser realizado através de moendas ou de aparelhos chamados difusores. A extração da sacarose pelo método convencional (moendas) alcança 90% a 93% do total de açucares contido na cana-de-açúcar e o método de difusores extrai aproximadamente 96% a 98% do total de sacarose, obtendo assim, resíduos com composição química diferentes entre os dois processos.

A “difusão” consiste em comprimir a cana-de-açúcar ao máximo e, a sacarose aderida ao material fibroso é dissolvida e removida por lixiviação (lavagem), através de difusores. A água é extraída arrastando a sacarose com ela, este processo poderá ser repetido até 20 vezes para melhor extração da sacarose (Delgado et al., 1975; e Rabelo, 2002).

O bagaço de cana-de-açúcar apresenta algumas características particulares como baixo teor de fibra não efetiva, devido a grande quantidades de partículas de pequeno tamanho, baixa densidade o que limita seu transporte a longas distâncias, baixo teor de nutrientes digestíveis totais (NDT) variando de 30 a 40% da matéria seca (MS), e reduzido teor de proteína bruta (PB) variando de 1,60 a 1,90% na MS (Rabelo, 2002 e Valadares Filho et al., 2006). A composição química do bagaço de cana-de-açúcar segundo alguns autores pode ser observada na Tabela 1.

O bagaço de cana-de-açúcar é um resíduo com alto teor de fibra em detergente neutro (FDN) aproximadamente 80% na MS, sendo este uma fonte de carboidratos estruturais (celulose e hemicelulose) que são degradados no rúmen dos bovinos pelas bactérias celulolíticas, que produzem ácidos graxos voltais (acético, butírico e propriônico) absorvidos na parede ruminal e metabolizados no tecido animal (ruminante) como fonte de energia, essencial para a produção animal (Van Soest, 1994).

 

Tabela 1 – Composição química da cana-de-açúcar e do bagaço da cana-de-açúcar (processo de difusão) expresso em % da MS segundo alguns autores

Nutrientes

Alimentos

 

Cana-de-açúcar

Bagaço de cana-de-açúcar

Bagaço de cana-de-açúcar

MS

28,45

43,2

48,16

MO

97,45

97,27

92,64

PB

2,74

1,86

1,82

EE

1,55

2,26

0,87

FDN

57,68

85,2

89,07

FDA

34,02

62,3

61,18

NDT

62,70

-

43,52

Autores

Valadares Filho et al., (2006)

Rabelo (2002)

Valadares Filho et al., (2006)

MS: matéria seca; MO: matéria orgânica, PB: proteína bruta; EE: extrato etéreo; FDN: fibra em detergente neutro; FDA: fibra em detergente ácido, NDT: nutrientes digestíveis totais.

 

Pesquisa desenvolvida por Thiago et al. (1983) avaliou a substituição da ponta de cana-de-açúcar pelo bagaço da cana-de-açúcar com teor máximo de 40% na MS da ração total em novilhos e sugeriu o uso de no máximo 20% de inclusão do bagaço de cana-de-açúcar na dieta de novilhos, evitando assim redução no desempenho produtivo.

A utilização do bagaço de cana-de-açúcar em dietas com elevada proporção de concentrados (75% a 85% na MS total) para novilhos Nelore em confinamento foi testada por Leme et al. (2003), os quais observaram a viabilidade do uso de 15% ou 21% de bagaço de cana-de-açúcar como única fonte de volumoso para novilhos Nelore em confinamento com ganhos de peso médio variando de 1,51 kg a 1,49 kg/dia, respectivamente, para os teores de 15% e 21% de inclusão do bagaço de cana-de-açúcar (Tabela 2).

 

Tabela 2 – Características de desempenho dos novilhos Nelores submetidos a alimentação com teores de 15%, 21% e 27% do bagaço de cana-de-açúcar

Variáveis

Teores do bagaço de cana-de-açúcar na alimentação de novilhos

Equação

 

15

21

27

 

GMD kg

1,51

1,49

1,38

-

CMS kg

8,3

7,9

7,5

1

CMS/100 kg de peso vivo kg

2,4

2,3

2,2

2

1 Y = 9,2993 – 0,0655 * X (R2: 0,22)

2 Y = 2,6958 – 0,0179 * X (R2: 0,21)

GMD: consumo médio diário; CMS consumo de matéria seca; Adaptado de Leme et al. (2003).

 

Desta maneira, Leme et al. (2003) relataram que o bagaço de cana-de-açúcar pode ser uma alternativa interessante, uma vez que se trata de um resíduo da agroindústria de grande excedente e de baixo custo, produzido na época da entresafra, ou seja, período da seca onde há escassez de forragem.

 

Polpa de citrus (Citrus sinensis L.) ou bagaço de laranja

 

A polpa citrus in natura ou peletizada é obtida por meio do tratamento de resíduos sólidos e líquidos remanescentes da extração do suco da laranja. Entre esses resíduos estão as cascas, as sementes e as polpas de laranjas. Este material equivale a 50% do peso de cada fruta e tem uma umidade de aproximadamente 82% logo após o processamento da laranja. Após passar pelo processo de industrialização a polpa de citrus in natura é triturada e seca até chegar a 12% de umidade, então o produto é peletizado gerando a polpa de citrus peletizada.

A polpa de citrus peletizada é usada principalmente como complemento para a ração animal, principalmente na pecuária. Tem boa aceitação como insumo na ração de rebanhos bovinos (leite e corte). Sua utilização deve restringir-se a no máximo 30% da matéria seca para cada animal adulto.

A polpa de citrus in natura apresenta característica na composição química semelhante ao dos grãos, com 83 a 88% de NDT e digestibilidade aparente da matéria seca de 84% (Ashbell, 1992; Van Soest, 1994 e Itavo et al., 2000). A composição química da polpa de citrus in natura e peletizada e da silagem da polpa de citrus pode ser observada na Tabela 3.

A maior digestibilidade de algumas frações da polpa de citrus in natura é atribuída, especialmente, a seu alto teor de carboidratos solúveis e pectina, os quais são os responsáveis pela melhora na digestibilidade das silagens produzidas com este subproduto (Peres, 1997).

 

Tabela 3 – Composição química da polpa de citrus in natura e peletizada e da silagem da polpa de citrus expressa em % da MS, segundo alguns autores

Nutrientes

Alimentos

 

Polpa de citrus in natura

Polpa de citrus peletizada

Silagem de Polpa de citrus

MS

47,83

88,40

13,97

MO

-

91,75

95,45

PB

7,13

6,50

8,48

EE

5,99

2,14

3,16

FDN

19,64

19,77

23,94

FDA

16,03

25,90

24,58

NDT

-

84,87

-

Autores

Valadares Filho et al. (2006)

Prado et al. (2000) e Manzano et al. (1999)

Itavo et al. (2000)

MS: matéria seca; MO: matéria orgânica, PB: proteína bruta; EE: extrato etéreo; FDN: fibra em detergente neutro; FDA: fibra em detergente ácido, NDT: nutrientes digestíveis totais.

 

A polpa de citrus peletizada é caracterizada como um alimento de alto valor energético (apenas 13% inferior ao milho, segundo o NRC, 1996). Assim, a polpa de citrus peletizada poderia substituir outra fonte de energia para animais em confinamento, como no caso do milho.

Além das qualidades nutricionais da polpa de citrus, a época de produção é extremamente favorável, pois a safra inicia-se em maio e termina em janeiro, abrangendo justamente a entressafra de grãos como o milho e o período de escassez de forragem. Dessa maneira, o produtor passa a contar com mais um suplemento energético exatamente nos meses em que o milho atinge cotação máxima e os pastos, níveis mínimos de utilização.

Segundo Van Soest (1982), a polpa de citrus parece proporcionar melhor padrão de fermentação ruminal com dietas mistas (concentrado entre 30 e 50%) que as fontes de amido tradicionais, devido ao menor conteúdo de amido e à maior concentração de pectinas.

A maior eficiência da utilização da polpa de citrus pode ser atribuída ao fato de que problemas digestivos ocorrem quando há inclusão de elevada proporção de amido em dietas com altas proporções de carboidratos fermentáveis no rúmen (Woody et al., 1983). Dessa forma, a inclusão de polpa de citrus, em combinação com fontes de amido, poderia evitar o aparecimento de problemas ruminais, principalmente a queda abrupta do valor de pH ruminal.

Pesquisa realizada por Vijchualta et al. (1980), demonstrou ganhos próximos de 1 kg/animal/dia em dietas com até 60% de polpa de citrus em substituição ao milho, em rações para bovinos confinados contendo farelo de soja ou cama de frango como fontes protéicas.

A substituição do milho em 40%, 60%, 80% e 100% pela polpa de citrus peletizada foi estudado por Prado et al. (2000), em bovinos mestiços confinados. Estes autores observaram que a substituição do milho pela polpa de citrus peletizada não alterou ganho médio diario, consumo de MS, PB e energia bruta, conversão alimentar da MS, rendimento de carcaça e gordura de cobertura de bovinos machos inteiros (Tabela 4).

 

Tabela 4 – Valore de ganho médio diário (GMD), consumo de matéria seca (CMS), proteína bruta (CPB) e energia bruta (CEB), conversão alimentar (CA) da MS, rendimento de carcaça (RC) e gordura de cobertura (CG) de bovinos alimentados com diferentes teores de polpa de citrus

Variáveis

Teores de substituição do milho pela polpa de citrus peletizada (%)

CV (%)

 

40

60

80

100

 

GMD kg/dia

1,35

1,39

1,35

1,38

35,49

CMS kg/dia

7,57

7,98

7,21

7,74

14,99

CPB kg/dia

2,77

3,02

2,74

3,03

14,70

CEB Mcal/kg MS/dia

33,02

34,68

31,21

33,39

14,96

CA da MS kg/kg PV

6,74

6,36

5,77

6,30

41,61

CA da PB kg/kg PV

0,93

0,88

0,78

0,85

41,48

RC (%)

57,57

56,90

57,14

57,51

46,36

CG (mm)

3,74

3,36

3,67

2,70

46,36

Adaptado de Prado et al. (2000) – PV: peso viso; CV: coeficiente de variação.

 

Desta forma, Prado et al. (2000), concluíram que a polpa de citrus peletizada pode ser utilizada em substituição parcial ou total ao milho, para bovinos confinados, sem causar prejuízo para o seu desempenho.

        A polpa de citrus peletizada também pode entrar em até 15% de inclusão na dieta de eqüinos sem prejudicar o seu desenvolvimento (Manzano et al., 1999).

 

Casca do grão de soja (Glycine max L.)

 

A casca do grão de soja é obtida da industrialização do grão de soja, tem grande destaque no cenário nacional, em virtude da alta produção brasileira de grão de soja, sendo que a casca representa 7 a 8% do peso do grão (Restle et al., 2004).

A casca do grão de soja é um resíduo de fácil obtenção no estado do Mato Grosso (MT), uma vez que este é o maior produtor da federação (Francisco, 2006). Segundo IBGE (2006), o Brasil irá produzir aproximadamente 58 milhões de toneladas de grão de soja na safra de 2007.

A casca do grão de soja é obtida no processamento da extração do óleo do grão desta oleaginosa. A cada tonelada de soja que entra para ser processada, cerca de 2% é transformada em resíduo, ou seja, casca do grão de soja. No entanto, esta porcentagem pode variar de 0% a 3%, de acordo com a proteína da soja que foi esmagada. Quando o teor de proteína da soja é elevado, não há necessidade de retirar a casca do grão de soja do farelo. Entretanto, se o teor de proteína do grão de soja for baixo, esta necessidade se caracteriza para elevar o teor de proteína bruta deste (Zambom et al., 2001).

A casca do grão de soja trata-se de um resíduo de alto valor nutricional e a sua composição química pode ser observada na Tabela 5.

Apesar da casca do grão de soja apresentar altos teores de FDN, estes são de alta digestibilidade, podendo chegar a 90% na MS (Quicke et al., 1959; e Zambom et al., 2001).

Por apresentar alto conteúdo de FDN, a casca do grão de soja foi estudada como opção para substituir a fração volumosa da dieta em bovinos de corte e ovinos (Tambara et al., 1995; Azevedo, 1998; Zambom, et al., 2001; e Morais et al., 2007). No entanto, resultados confirmaram a elevada digestibilidade da FDN presente na casca do grão de soja, a alta produção de AGVs, devido à excelente fermentabilidade desta fração (Morais et al., 2007), além de apresentar benefícios sobre a digestão da fibra da dieta total e o pH ruminal (Ludden et al., 1995; Gomes, 1998, Zambom et al., 2001) induzindo novos estudos sobre a utilização da casca do grão de soja como substituto dos grãos de cereais na fração concentrado da dieta de animais de produção.

 

Tabela 5 – Composição química da casca do grão de soja expressa em % da MS, segundo alguns autores

Nutrientes

Alimento

 

Casca do grão de soja

Casca do grão de soja

Casca do grão de soja

MS

90,70

89,90

91,84

MO

95,53

94,48

94,25

PB

9,99

11,65

15,69

EE

1,38

1,60

-

FDN

69,20

68,40

56,47

FDA

43,02

50,52

42,09

NDT

-

68,77

-

EB (Mcal/kg MS)

4,03

4,07

3,81

Autores

Zambom et al. (2001)

Valadares Filho et al. (2006)

Quadros et al. (2007)

MS: matéria seca; MO: matéria orgânica, PB: proteína bruta; EE: extrato etéreo; FDN: fibra em detergente neutro; FDA: fibra em detergente ácido, NDT: nutrientes digestíveis totais e EB: energia bruta.

 

A substituição dos grãos de cereais pela casca do grão de soja na alimentação de bovinos de corte, além do aspecto econômico, pode trazer benefícios na eficiência de utilização dos alimentos pelo animal, uma vez que grãos de cereais com alto teor de amido, como os grãos de milho e de sorgo, podem provocar efeito associativo negativo, reduzindo a digestibilidade da fração fibrosa da dieta (Van Soest, 1994).

Devido ao padrão de fermentação ruminal, a casca do grão de soja pode ser classificada como fibra rapidamente fermentável, podendo ser utilizada tanto como fonte de energia, quanto para manter ideal o teor de fibra da dieta, sem diminuir a concentração do acetato ruminal (Zambom et al., 2001). Como fonte de fibra de rações altamente energéticas, ela não deve exceder 28% da MS da dieta, uma vez que teores mais altos podem diminuir a digestibilidade da ração (Sarwar et al., 1991), provavelmente devido a um aumento da taxa de passagem (Nakamura e Owen, 1989). A casca do grão de soja pode substituir concentrados ricos em amido (Anderson et al., 1988; Restle et al., 2004), mantendo a qualidade da dieta.

        Pesquisa realizada por Quadros et al. (2007), para avaliar a utilização da casca do grão de soja integral ou moída, ensilada ou não, em dietas para suínos na fase de crescimento, demonstrou que a ração contendo 25% de casca do grão de soja não alterou a digestibilidade dos nutrientes (MS, MO, EB - Tabela 6). Desta maneira, os autores recomendaram a utilização de 25% de inclusão da casca do grão de soja na alimentação de suínos em crescimento, visando reduzir o custo da ração sem alterar o aproveitamento da dieta ingerida.

A utilização da casca do grão de soja na dieta de aves é limitada pelo baixo valor de energia metabolizável (EM) para aves de 0,81 Mcal/kg de MN em quanto o milho apresenta valor de 3,43 Mcal/kg MN, o limitaria o desenvolvimento das aves, segundo Nery et al. (2007). Estes autores relataram que a maior parte da fibra presente na casca do grão de soja possui baixa digestibilidade em aves, resultando em digestão incompleta no sistema digestivo das mesmas, não alcançando o desempenho deseja nestes animais.

 

Tabela 6 - Coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca (CDMS), matéria orgânica (CDMO), energia bruta (CDEB) e erro padrão da media (EPM) da casca de soja integral, moída e ensilada (na matéria natural)1, fornecida a suínos na fase de crescimento

Processamento

Casca do grão de soja

EPM

 

Integral

Moída

 

 

CDMS

 

Ensilada

72,13

72,15

4,71

Não ensilada

73,82

70,60

3,87

 

CDMO

 

Ensilada

75,68

76,33

4,51

Não ensilada

77,09

73,99

3,76

 

CDEB

 

Ensilada

73,43

72,17

4,62

Não ensilada

71,74

68,96

4,22

Adaptado de Quadros et al. (2007).

 

Resíduos de Mandioca (Manihot esculenta Crantz)

 

A mandioca e seus resíduos industriais (farinha de varredura, massa de fecularia ou bagaço de mandioca e etc) podem ser fontes alternativas de energia, devido à grande disponibilidade em boa parte do país, principalmente na região sul, sudeste e nordeste. A farinha de varredura de mandioca pode substituir os grãos mais nobres usados na alimentação humana e de animais monogástricos, que apresentam melhor resposta à utilização deste tipo de alimento.

 

Resíduos de fecularia de mandioca

 

O resíduo da indústria de fécula é conhecido como massa de fecularia ou bagaço de mandioca (resultado da prensagem para extração do amido), que pode representar entre 10 e 20% do peso das raízes de mandioca utilizadas para produção do amido, sendo que o mesmo pode conter até 60% de amido (Buitagro, 1990). Este resíduo tem sido fornecido com resultados satisfatórios para bovinos por alguns criadores (Silveira, 1995).

Algumas indústrias desidratam a massa de fecularia, formando um subproduto com elevado teor de matéria seca (88 a 89%), conhecido como resíduo desidratado de fecularia de mandioca. Além do aspecto de agressão ambiental que esses resíduos apresentam, o não aproveitamento dos mesmos constitui desperdício, pois estes podem ser utilizados de maneira eficiente na alimentação de animais de produção, sendo sua utilização bastante interessante devido ao reduzido custo dos mesmos, quando utilizados próximos aos locais de produção.

A utilização das raízes frescas de mandioca na alimentação é limitada devido ao elevado teor de água, tornando-as bastante perecíveis, devendo ser consumidas de dois a três dias após a colheita (Pereira, 1987). Outro entrave se relaciona às variedades “bravas” que, devido ao risco de toxicidade pelo ácido hidrociânico - HCN, devem ser submetidas à secagem e exposição ao sol para que o princípio tóxico se volatilize. Portanto, para agilizar a utilização das raízes, a transformação das mesmas em raspas e posteriormente em farinha de raspas é, sem dúvida uma maneira de eliminar os problemas de conservação e toxidez, facilitando a estocagem bem como a utilização na formulação de concentrados.

        Pesquisa realizada por Dian (2004), para avaliar a substituição do milho em até 32% pelo resíduo de fecularia de mandioca desidratado sobre o desempenho, características de carcaça de bovinos confinados, não alterou o ganho médio diário, rendimento de carcaça, conversão alimentar, espessura de gordura, área de olho de lombo, comprimento de perna e espessura de coxão (Tabela 7). O autor concluiu que o fator determinante no nível a ser utilizado até 32% de substituição do milho pelo resíduo de fecularia de mandioca desidratado será o preço de mercado do milho e do resíduo e a disponibilidade deste último no mercado.

 

Tabela 7 – Valores de ganho médio diário (GMD), rendimento de carcaça (RC), conversão alimentar da matéria seca (CAMS), espessura de gordura de cobertura (EGC), área de olho de lombo (AOL), comprimento de perna (CP) e espessura de coxão (EC) de novilhos alimentados com diferentes teores de resíduo de fecularia desidratado

Variáveis

Teores de substituição do milho pelo resíduo de fecularia de mandioca desidratado (%)

Média

CV (%)

 

0

12,5

22,8

32,7

 

 

GMD kg/dia

1,99

2,05

2,17

1,93

2,03

14,14

RC %

53,95

54,55

54,14

55,13

54,44

3,31

CAMS kg/kg PV

6,92

6,12

5,79

6,06

6,22

18,76

EGC mm

4,06

4,34

4,63

4,75

4,45

18,54

AOL cm2

79,97

78,99

88,95

86,80

83,44

12,57

EP cm

72,63

73,14

73,50

72,63

72,98

2,49

EC cm

24,63

25,66

25,69

25,63

25,23

8,45

CV: coeficiente de variação, Adaptado de Dian (2004).

 

Resíduo das farinheiras de mandioca

 

O teor de farinha de mandioca (rendimento de kg raiz de mandioca processada/kg de farinha produzida) em uma série de variedades de mandioca varia de 12,8% a 38,8% com uma média de 27,9%. A maioria das farinheiras nacionais apresenta um rendimento em torno de 30,0% (Fukuda e Caldas, 1987).

Os resíduos da produção de farinha de mandioca variam muito e recebem regionalmente nomes diferentes, dificultando assim sua caracterização. O primeiro subproduto da fabricação de farinha é obtido no processo de descascamento, consistindo de pontas de mandioca, cascas e películas. Segundo Lima (1982) citado por Vilela e Ferreira (1987), este material composto de cascas brancas, películas, terra e pedregulhos, corresponde de 5 a 10 % da mandioca inicial. Este material apresenta elevada umidade (85,0%), o que dificulta sua conservação.

De acordo com pesquisa realizada por Melloti (1972), após a peneiragem da mandioca na farinheira, os pedaços de casca e raiz que escaparam à ralação formam um resíduo grosseiro chamado farelo de farinha de mesa. O mesmo autor obteve os seguintes valores da composição química deste material, 90,90% de matéria seca, 3,70% de proteína bruta, 0,90% de extrato etéreo, 6,90% de fibra bruta, 1,80% de matéria mineral, 77,60% de extrato não nitrogenado e 76,70 % de nutrientes digestíveis totais. Este resíduo também é conhecido por crueira (Vilela e Ferreira, 1987).

Finalmente o último subproduto é obtido durante a limpeza de todo o material perdido no chão e juntado ao resíduo do lavador, recebendo segundo Melloti (1972) a denominação de farelo de varredura. Sua composição, segundo este mesmo autor, parece ter composição semelhante a farinha de mandioca, contudo sua composição e rendimento podem variar muito conforme o tipo de farinha fabricada e o processo de fabricação utilizado. Regionalmente este resíduo também é conhecido com farinha de varredura.

A substituição do grão milho pela farinha de varredura (Manihot esculenta, Crantz) na ração de bezerros Holandeses foi avaliada por Jorge et al. (2002), os quais observaram que farinha de varredura de mandioca pode substituir 100% o grão de milho, uma vez, que o ganho de peso foi reduzido com a inclusão de farinha de varredura mas a conversão alimentar não foi alterada (Tabela 8), considerado satisfatório os resultados obtidos.

 

Tabela 8 – Valores de consumo de matéria seca (CMS), ganho médio diário (GMD), conversão alimentar da MS (CAMS) de bezerros alimentados com teores de substituição do milho pela farinha de varredura de mandioca

Variável

Teores de substituição do milho pela farinha de varredura de mandioca (%)

CV (%)

 

0

25

50

75

100

 

CMS

2,90

2,91

2,73

2,73

2,64

2,591

GMD

1,00

1,03

0,94

0,99

0,86

10,202

CAMS

2,90

2,90

2,90

2,70

3,00

9,73

1 Y = 2,927 – 0,00351 X     (R2 = 0,92);

2  Y = 1,027 – 0,00131 X     (R2 = 0,60);

3 Y = 2,90.

CV: coeficiente de variação; 1, 2 e 3  equações de regressão. Adaptado de Jorge et al. (2002).

 

        A substituição do grão de milho pela farinha de varredura de mandioca, em dietas de cabras Saanen em lactação, foi realizada por Mouro et al. (2002), para avaliar o desempenho e a digestibilidade da matéria seca (MS). Os autores concluíram que pode ser realizada a substituição de 100% do grão de  milho pela farinha de varredura de mandioca sem alterar a produção de leite, consumo de MS e a digestibilidade da MS em dietas para cabras em lactação com demonstrado na Tabela 9.

 

Tabela 9 – Valores de consumo de MS (CMS), coeficiente de digestibilidade da MS (CDMS) e produção de leite (PL) de cabras alimentadas com diferentes teores de substituição do grão de milho pela farinha de varredura de mandioca

Variáveis

Teores de substituição do milho pela farinha de varredura de mandioca (%)

Média

CV (%)

 

0

33

67

100

 

 

CMS kg/dia

1,89

1,74

1,73

1,89

1,82

11,67

CDMS %

69,00

70,12

68,86

70,36

69,59

5,98

PL kg/dia

2,14

2,00

2,06

2,21

2,10

11,87

CV: Coeficiente de variação, Adaptado de Moura et al. (2002).

 

        De acordo com pesquisa desenvolvida por Cruz et al. (2006) para avaliar o efeito da substituição do grão milho pela farinha da apara de mandioca em poedeiras comerciais foi observado que é possível substituir 100% do grão de milho sem alterar a produção de ovos e a conversão alimentar (Tabela 10).

 

Tabela 10 – Valores de viabilidade, conversão alimenta da MS (CAMS) e produção de ovos (PO) em poedeiras comerciais alimentadas com diferentes teores de substituição do milho pela farinha de apara de mandioca

Variáveis

Teores de substituição do milho pela farinha de apara de mandioca (%)

CV (%)

 

0

25

50

75

100

 

Viabilidade (%)

95,0

95,0

92,5

100,0

100,0

7,98

PO (%)

82,83

81,72

82,32

81,61

77,68

4,48

CAMS kg/kg MS

1,92

1,97

1,89

1,92

1,97

5,18

CV: coeficiente de variação; Adaptado de Cruz et al. (2006).

 

Caroço de algodão (Gossypium hirsutum)

 

O caroço de algodão compreende o grão e as cascas. Nele ficam ainda as fibras curtas presas ao grão denominadas línter, cujo teor pode variar de 4% a 8% no caroço, que também servem como fonte de fibra facilmente digestível para os ruminantes. Quando o caroço de algodão é aberto para liberar o grão que será esmagado, sobram as cascas, excelente fonte de fibra efetiva, com real capacidade de estimular o rúmen e de alta aceitabilidade para os ruminantes (Araújo et al., 2003).

Após a extração da fibra do algodão (descaroçamento), seu principal produto, aproximadamente 30% da massa total é resíduo sólido (caroço de algodão) o qual poderá provocar a contaminação do solo e da água se não tiver uma destinação correta, extração do óleo ou fornecimento na alimentação animal.

A composição química do caroço de algodão pode ser observada na Tabela 11. Segundo Valadares Filho (2006), o caroço de algodão constitui-se de um alimento protéico (mais de 20% de PB na MS).

O emprego de alimentos suplementar na dieta de bovinos, como o caroço de algodão tem alcançado sucesso em prover teores de nitrogênio amoniacal mais adequados ao crescimento microbiano (DelCurto et al., 1990) melhorando o desempenho destes animais.

 

Tabela 11 – Composição química do caroço de algodão expressa em % da MS, segundo alguns autores

Nutrientes

Alimento

 

Caroço de algodão

Caroço de algodão

Caroço de algodão

MS

89,50

90,64

92,60

MO

86,14

96,32

96,40

PB

22,69

22,62

21,03

EE

12,16

18,90

21,20

FDN

30,80

46,04

44,97

FDA

-

35,85

33,37

NDT

-

81,92

84,33

EB (Mcal/kg MS)

-

5,57

-

Autores

Paulino et al. (2002)

Valadares Filho et al. (2006)

Melo et al. (2007)

MS: matéria seca; MO: matéria orgânica, PB: proteína bruta; EE: extrato etéreo; FDN: fibra em detergente neutro; FDA: fibra em detergente ácido, NDT: nutrientes digestíveis totais e EB: energia bruta

 

Abel-Caines et al. (1997) sugeriram que o caroço de algodão é uma excelente fonte de fibra efetiva capaz de auxiliar na ruminação. Clark e Armentano (1993) determinaram a efetividade da fibra em detergente neutro do caroço de algodão e grãos secos de cereais em dietas de vacas de leite em lactação, onde o caroço de algodão promoveu maior atividade de mastigação do queos grãos de cereais. Esses autores concluíram que o caroço de algodão pode servir como suplemento de fibra efetiva para dietas baseadas em silagem pré-seca de alfafa com baixa relação volumoso:concentrado.

A utilização caroço de algodão e do grão de soja em suplementos múltiplos (4 kg/animal/dia) para terminação de bovinos mestiços em pastejo  foi avaliada por Paulino et al. (2002), os quais observaram que o emprego do caroço de algodão ou do grão de soja, durante a época seca, propiciou desempenho animal semelhante ao obtido com a fonte protéica padrão farelo de soja (Tabela 12).

 

Tabela 12 – Valores de ganho médio diário (GMD), rendimento de carcaça (RC) e peso da carcaça (PC) de bovinos suplementados com farelo de soja (FS), grão de soja (GS) e caroço de algodão (CA)

Variáveis

Suplementos

Média

CV (%)

 

FS

GS

CA

 

GMD (kg)

1,14

1,06

1,02

1,07

28,44

RC %

53,61

52,21

53,04

52,96

3,59

PC (kg)

247,65

241,20

242,55

243,75

6,71

CV: coeficiente de variação. Adaptado de Paulino et al. (2002).

 

O desempenho leiteiro de vacas alimentadas com caroço de algodão em dieta à base de palma forrageira foi avaliado por Melo et al. (2006), os quais observaram que a inclusão de até 25% de caroço de algodão na dieta a base de palma forrageira melhorou o desempenho animal (produção de leite corrigido), como demonstrado na Tabela 13.

 

Tabela 13 - Produção e composição do leite, produção de gordura e eficiência alimentar, coeficientes de variação (CV), equações de regressão ajustadas (ER) em função dos teores de inclusão do caroço de algodão na dieta de vacas Holandesas

Variáveis

Teor de inclusão do caroço de algodão (%)

CV (%)

ER

 

0

6,3

12,5

18,5

25,0

 

 

PL kg/dia

29,50

30,24

31,25

32,67

32,27

10,84

ns

PLCG kg/dia

26,70

28,12

30,22

30,74

31,68

8,67

1

GL %

2,91

3,15

3,33

3,13

3,39

10,40

ns

PGL kg/dia

0,86

0,93

1,03

1,02

1,09

8,45

2

EA

1,23

1,31

1,36

1,30

1,35

7,02

ns

1 Y = 26,87 + 0,20 CA  (R2 = 0,92);

2 Y = 0,87 + 0,01 CA  (R2 = 0,92)

PL: produção de leite; PLCG: produção de leite corrigido para 3,5% de gordura; GL: gordura do leite; PGL: produção de gordura do leite; EA: eficiência alimentar (kg PLCG/kg CMS).

 

 

Resíduo de cervejaria ou bagaço de cevada

 

        O resíduo de cervejaria úmido é um subproduto da indústria de cerveja bastante utilizado na alimentação de ruminantes (Lima, 1993). Estima-se que aproximadamente 3,0 milhões de toneladas de resíduo de cervejaria úmido foram produzidos no Brasil em 2005 com uma produção de cerveja de 8,5 bilhões de litros segundo o sindicato nacional da indústria de cerveja (Geron, 2006).

A matéria-prima utilizada pelas indústrias de cerveja no Brasil é constituída por malte de cevada com a adição de mistura de cereais (principalmente o milho) ou maltose. O processo de fabricação do malte é chamado de maltagem e envolve o controle de umedecimento dos grãos, obtendo-se mudanças químicas e físicas com perdas mínimas de energia pelo processo de respiração (Cabral Filho, 1999).

Desta maneira, o resíduo de cervejaria úmido é um subproduto obtido pelo processo de fabricação de cerveja. O passo inicial envolve a obtenção do malte, ou seja, os grãos de cevada ou de cereais (milho, arrroz) são imersos em água morna por algum tempo, e em seguida retira-se a água para que ocorra a germinação dos grãos e a hidrólise do amido em dextrina e maltose. Este processo promove a liquefação e a hidrólise do amido a açúcares, obtendo 65% de extração dos sólidos totais do malte e de 80% a 90% quando se utilizam misturas de cereais tais como milho e arroz (Lima, 1993, Cabral Filho, 1999).

Posteriormente, os grãos são desidratados por aquecimento (50° C a 80° C), interrompendo a atividade enzimática, e separados em três partes: malte, gérmen e raiz de malte. Neste ponto, o grão maltado é prensado e embebido em água, para formar o mosto de cerveja como produto final. A parte sólida é separada e constitui o resíduo de cervejaria úmido ou bagaço de cevada, que é comercializada, dessa forma ou pode ser desidratada para formar a polpa seca de cervejaria ou o resíduo de cervejaria desidratado. No final do processo de maltagem dependendo do tipo de grão de cereal utilizado (cevada, milho ou arroz) pode ocorrer a geração de até 40% de resíduo de cervejaria úmido (Cabral Filho, 1999).

Desta maneira, o resíduo de cervejaria úmido compõe-se das glumas do malte prensado e de compostos que não chegaram a solubilizar-se durante o processo de fabricação da cerveja (quantidades variáveis de amido, pentosanas e proteína que não coagularam durante a cocção), além de raízes de malte em quantidades variadas que são posteriormente adicionadas. A etapa seguinte do processo de fabricação da cerveja consiste em adicionar o lúpulo e o fermento, o qual gera outros subprodutos (Pereira et al., 1999).

A influência do processo de secagem do resíduo de cervejaria úmido foi verificada por López e Pascual (1981) e encontraram uma variação na composição química do resíduo de cervejaria úmido, com teores de matéria seca (MS) de 9,40% e 29,90%, proteína bruta (PB) de 26,20 e 34,80 % na MS e extrato etéreo (EE) de 7,40 e 10,10% na MS para o resíduo de cervejaria úmido prensado com água e apenas prensado, respectivamente.

Segundo estudo realizado por Geron (2006) e Valadares Filho (2006) sobre a caracterização do resíduo de cervejaria, foi observado que a composição química do resíduo de cervejaria úmido e do resíduo de cervejaria úmido fermentado são similares (Tabela 14).

 

 

Tabela 14 – Composição química do resíduo de cervejaria úmido e do resíduo de cervejaria úmido fermentado (expressa em % da MS), segundo alguns autores

 

Nutrientes

Alimento

 

Resíduo de cervejaria úmido

Resíduo de cervejaria úmido fermentado

Resíduo de cervejaria úmido fermentado

Resíduo de cervejaria desidratado

MS

23,45

27,50

25,40

92,25

MO

97,37

96,16

94,50

96,02

PB

31,29

29,92

24,33

21,33

EE

5,46

5,39

-

6,93

FDN

59,65

58,52

59,72

-

FDA

24,82

23,66

30,03

-

NDT

-

75,28

76,30

-

EB (Mcal/kg MS)

-

-

-

-

Autores

Geron (2006)

Geron (2006)

Valadares Filho et al. (2006)

Valadares Filho et al. (2006)

MS: matéria seca; MO: matéria orgânica, PB: proteína bruta; EE: extrato etéreo; FDN: fibra em detergente neutro; FDA: fibra em detergente ácido, NDT: nutrientes digestíveis totais e EB: energia bruta

 

Apesar de suas qualidades nutricionais, o resíduo de cervejaria úmido apresenta problemas relacionados ao seu alto conteúdo em umidade variando de 70% a 80%, o que influi negativamente no transporte e armazenamento (Clark at al., 1987; Lima, 1993; Phipps et al., 1995, Geron, 2006). Portanto, as alternativas para a sua conservação seriam os métodos de ensilagem ou secagem, conforme mencionado por Polan et al. (1985) e Geron (2006).

O método de ensilagem consiste na fermentação de determinadas bactérias sobre os carboidratos solúveis de um alimento. A atividade de fermentação destes microrganismos na ausência do oxigênio resulta em compostos capazes de conservar um determinado alimento ao logo do tempo (Peixoto, 1988).

Teores próximos a 30% de MS são recomendáveis para o processo de ensilagem (Peixoto, 1988). O desenvolvimento de microrganismos indesejáveis como Clostridium foi identificado em silagem com elevado teor de umidade. Segundo McDonald et al. (1991), estas bactérias se desenvolvem na presença de alto teor de umidade e o pH ideal para o seu crescimento situa-se entre 7,0 a 7,4. Valores de pH variando de 3,8 a 4,0 foram observados por Geron (2006) para o ensilado de resíduo de cervejaria úmido, o qual considerou satisfatório para uma boa conservação.

A inclusão de até 15% do resíduo de cervejaria úmido fermentado na alimentação de vacas lactantes segundo Geron (2006), aumentou (P > 0,05) o coeficiente de digestibilidade total da matéria seca e da proteína bruta, além de apresentar um aumento de aproximadamente 6% na produção de leite por dia (Tabela 15).

 

Tabela 15 - Coeficiente de digestibilidade total da matéria seca (CDMS) e da proteína bruta (CDPB) e produção de leite (PL) de vacas alimentadas com diferentes teores de resíduo de cervejaria úmido fermentado

 

Variáveis

Teores de inclusão do residuo de cerverjaria úmido fermentado

equação

CV%

 

0%

5%

10%

15%

 

 

CDMS %

72,8

74,8

73,8

77,3

¹

3,7

CDPB %

72,4

75,5

74,6

78,8

²

4,3

PL (kg/dia)

27,8

28,4

27,6

29,5

Y= 28,3

28,3

¹ Y = 72,8121 + 0,2485X;  R² = 0,20

² Y = 72,5808 + 0,364825X;  R² = 0,30

 

Resíduo de girassol (Helianthus annun)

 

        O grão de girassol apresenta elevado teor de óleo (40%) em sua composição química. Este grão pode ser processado através de prensagem a frio, sem a utilização de produtos químicos. O óleo de girassol pode ser consumido imediatamente após a sua extração e o resíduo resultante (torta) pode ser aproveitado na alimentação animal (Oliveira e Vieira, 2004).

        Segundo Castro et al. (1996), para o processamento de uma tonelada de grão de girassol, são produzidos 400 kg de óleo, 250 kg de casca e 350 kg de torta, com 45 a 50% de proteína bruta, sendo este resíduo aproveitado na alimentação animal.

        Recentemente surgiram no mercado pequenas empresas de extração de óleo de girassol e outras oleaginosas para fins de geração de óleo comestível e para produção de combustível (biodiesel). Estas empresas passaram a ser geradoras de quantidades significativas de torta de girassol em diferentes regiões do Brasil, principalmente na região Sudeste e Centro-Oeste (Oliveira e Vieira, 2004).

        Os valores de composição química da torta de girassol, expressos na matéria natural, são de 7,57% de umidade; 22,19% de proteína bruta; 22,15% de extrato etéreo e de 4,68 de matéria mineral (Silva et al., 2002). A composição química da torta de girassol, expressa em % da MS segundo alguns autores pode ser observada na Tabela 16.

O resultado do coeficiente de digestibilidade dos nutrientes da torta de girassol fornecida a suínos segundo Silva et al. (2002) esta demonstrada na Tabela 17. Segundo estes autores, a torta de girassol apresentou um coeficiente de digestibilidade dos nutrientes satisfatório, podendo ser utilizado na alimentação de monogástricos.

Estudo realizado por Costa et al. (2005) avaliou a utilização da torta de girassol na alimentação de suínos nas fases de crescimento e terminação sobre o desempenho produtivo. Os autores observaram que a torta de girassol pode ser utilizada até 15% em substituição ao milho e ao farelo de soja, por proporcionar os mesmos índices de desempenho e características de carcaça em suínos na fase de crescimento e terminação.

 

Tabela 16 – Composição química da torta de girassol expressa em % da MS, segundo alguns autores

Nutrientes

Alimento

 

Torta de girassol

Torta de girassol

MS

90,58

95,14

MO

95,83

95,35

PB

22,89

-

EE

23,87

26,43

FDN

-

32,26

FDA

-

29,83

NDT

-

-

EB (Mcal/kg MS)

-

4,35

Autores

Beran et al. (2005)

Costa et al. (2005)

MS: matéria seca; MO: matéria orgânica, PB: proteína bruta; EE: extrato etéreo; FDN: fibra em detergente neutro; FDA: fibra em detergente ácido, NDT: nutrientes digestíveis totais e EB: energia bruta

 

        Segundo Bueno et al. (2004), a torta de girassol e a silagem de girassol pode ser fornecido a ruminantes desde que se respeite o limite máximo de extrato etéreo na ração total, que é 7%, evitando desta maneira uma possível diminuição no consumo de MS e no coeficiente de digestibilidade da fibra.

 

Tabela 17 – coeficiente de digestibilidade dos nutrientes da torta de girassol em suínos (expresso em % da matéria natural)

Nutrientes

Coeficiente de digestibilidade

Matéria seca (%)

72,72

Proteína bruta (%)

68,04

Fibra bruta (%)

21,52

Energia bruta (%)

62,33

Fonte: Silva et al. (2002)

       

Considerações Finais

 

   A utilização de resíduos agro-industriais na alimentação animal, normalmente propicia uma redução no custo da alimentação (ração total). Além de servir como uma alternativa sustentável de reaproveitamento de matéria orgânica de origem vegetal na cadeia produtiva da carne e do leite, evitando o acúmulo destes resíduos no meio ambiente, com conseqüente contaminação ambiental (solo e água), colaborando com a preservação dos recursos naturais e com a produção animal sustentável.

 

Referencias Bibliográficas

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Informações Bibliográficas

Conforme a NBR 6023:2002 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), este texto científico publicado em periódico eletrônico deve ser citado da seguinte forma: Utilização de resíduos agroindustriais na alimentação de animais de produção. PUBVET, Londrina, V. 1, N. 9, Ed. 9, Art. 312, 2007. Disponível em: http://www.pubvet.com.br/artigos_det.asp?artigo=312. Acesso em: 19/12/2014.

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Sobre o autor

Luiz Juliano Valerio Geron

Professor Dr. do departamento de zootecnia da Universidade do Estado de Mato Grosso.

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